terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O último do ano

2013 - 2014

Este é o último post do ano. Tinha de o fazer. Uma despedida de um ano amargo que não deixa saudades.
Mas um ano que me ensinou muito do carácter, ou falta dele, do ser humano.
Um ano de decepções, ilusões e sonhos que se tornaram pesadelos.
Ao longo da minha vida deparei-me com muita coisa. Mas coisas que, de alguma forma, esperava. Já este ano foi o inesperado, o imprevisto que tomou conta da minha vida.
É verdade que quando depositamos muita esperança o choque é maior. Quando depositamos muita confiança, o vazio é maior. 
Foi um ano em que também perdi dois grandes amigos: A Gigi e o Luna. Estarão sempre presentes nas minhas recordações.
Este é um ano que, por tudo isso, marcará para sempre o resto dos meus dias.
Mas, "malgré ça", o meu coração continuará a bater pelos mesmos ideais.
Bom ano novo...

Acarinhem quem vos ama, apreciem quem vos ama. Não dura para sempre. E amanhã poderá ser tarde.

Rui


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ilusão




Há um buraco na ilusão por onde flui a realidade
Tem a marca dos teus dedos
Impressão digital da manhã e do odor do café
Mesclado de odores persistentes
Que deixaste na minha pele


domingo, 22 de dezembro de 2013

A faca cravada em mim


Aqui estou, nesta crónica do fim dos meus dias em vertigem.

Ficará que persegui o impossível apenas alcançando o inevitável, sem construir o que queria, destruindo tudo o que toquei nesta viagem.

E esperei, e perdi, alguém, ninguém.

Troco agora os passos na calçada, abraço o vento.

Sem destino, sem princípio nem fim, sem poder voltar atrás, proscrito e ao relento.

Tudo passou por aqui, beijos, amor, momentos de cansaço.


Fotos de sonhos esbatidos pelo aço da faca cravada em mim.


Com uma ajuda dos Scorpions, Send Me An Angel...


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A última viagem

Todos temos uma última viagem a fazer.
Uma viagem a um lugar exótico e distante dentro de nós onde existiremos sem disfarces, sem máscaras.
Seremos apenas o que somos, aquilo que tentamos não mostrar, esconder, dos outros e de nós próprios.
Pode acontecer que essa descoberta nos assuste.
- Esse não sou eu! Diremos, com a inocência de quem sempre tapou o sol com a peneira da vaidade.
Uma última viagem a fazer em que deixamos para trás, definitivamente, pessoas, lugares, recordações, como bagagem supérflua, defeituosa, de baixa qualidade.
Provavelmente por nunca terem merecido o nosso querer, o nosso desejo, por nunca terem merecido o valor que lhes demos em dado momento da nossa vida.
Ficará só o essencial e verdadeiro.

Muitos nunca a chegarão a fazer por não saberem ou não quererem.
Eu sei que tenho.
Espero ter tempo.


Entretanto, Neil Young fez a sua última viagem há muitos anos... a Tulsa
(e ao som desta viagem, muitas outras "trips" fizemos...)


De mim pouco ou nada resta

O tempo é a mortalha dos meus olhos
que vigio
O tempo são pecados cerrados desesperados
que espio
Cortam-se os punhos de vingança
com a pele
Arrancam-se veias endurecidas
estradas vazias
Sem descanso ou conforto
Ecoam palavras insentidas
Amo-te-quero-te-desejo-te-gosto-te
O peito é túmulo
Intocado
Só me querias a mim
Dizias
Mas de mim

Pouco ou nada resta

O tempo é a noite 
que conheço



In My Rosary - Poor Little Lovesong


Humano

Na minha vida, até hoje, não me arrependi nunca do que fiz.
Apenas do que fiquei de fazer e não fiz ou de, quando feito, não ter sido tudo o que poderia ter sido.
Nunca me arrependi de palavras ditas, antes de palavras que não soube inventar e ficaram por dizer.
Até hoje.
O arrependimento teria de pairar sobre mim como nuvem negra.
Escurecendo o meu presente enredado em teias de mentiras, ilusões e decepções.

Mas mesmo não ficando pedra sobre pedra, tropeçando nesse enredo, caindo e levantando, ou secando, como um rio cansado e represado, continuarei a ser o que sempre fui, mais diabo que anjo, levando nas minhas mãos, mesmo ténue, a promessa de eternidade que faz de mim mais humano.


Mais uma vez, e a propósito, a música... Neil Young e uma das suas maravilhas, 
Running Dry...


domingo, 15 de dezembro de 2013

...

Não sei quanto tempo a tristeza encherá de lágrimas a vossa recordação, não sei quanto tempo demorará para a serenidade das lembranças que um dia amanhecerá nos meus olhos.

Ainda vos sinto perto de mim, ainda não consigo aceitar o espaço onde vos deixei, contraponto irreal e frio da vida que levaram, da vossa vida que usufruímos.

E por todas as imensas coisas que nos deram nunca conseguiremos agradecer.


LUNA (11/08/2004 - 03/12/2013) - GIGI (06/05/2002 - 15/09/2013)





Mesmo que não existas

É para ti que escrevo.
Se ainda existires.
É a ti que amo.
Mesmo que já não existas.
Não me interessam outras
Interpretações com sentidos de plástico e "ses".

É a ti que reinvento e leio.
Em noites como esta
Ávido de te conhecer
Decorando os textos
Que na tua pele desenhas
Para mim.

É a ti que imagino sem cessar e ouço
Com uma surdez estranha
Para todas as outras
Ruidosas melodias
Que teimam em querer esconder o teu cantar.

Fazes parte de mim.
Deixa-me continuar a escrever em ti a minha história.
Deixa-me ler em ti o teu sentir.
Ouvir, até ao fim, o teu suspiro.


Olho e vejo o horizonte que quero desvendar.
Sem medo que o mundo acabe aí
Ou da existência de terríveis monstros marinhos
Que povoem as minhas mãos e me tolham o passo para as estrelas.

O teu corpo é vela enfunada pelos meus lábios,
As ondas que venço sem temor.
Oiço, serenamente, o teu canto.
E aporto, docemente, na tua praia
Aquela onde morreu a árvore que existiu um dia.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Para ti, que partiste

A morte é solitária.
A despedida, a partida.
Será que a companhia de quem amamos nesse preciso momento faz a diferença?
Será que sentem o nosso amor, o nosso carinho? Será que ajuda de qualquer forma na transição saber que somos amados?
Poderia ter feito mais por ti? Claro que sim, podemos fazer sempre mais quando deixamos de estar centrados no nosso umbigo.
Perdoa-me, por isso. Por ser preguiçoso, egoísta. Por assumir que não partirias já. Por ter esperança.
Cada minuto conta, eu sei. E cada segundo desses longos minutos devem ser aproveitados. Quantas vezes já aprendi isto e continuo a fazer sempre tudo ao contrário…
Agora é tarde. Resta apenas a lembrança e a dor que me acompanhará.
Já não estás cá para me perdoares, e eu suportaria melhor a tua ausência se soubesse que naquele momento foi importante para ti a minha presença.
Essa dúvida assombrar-me-á para sempre.

Espero ter aprendido a lição que não devemos esperar perdão mas, sim, mudar o que fazemos enquanto é tempo…


Para ti, e para mais alguém, porque a morte assume muitas formas... always on my mind...



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Quem perdeu?




Neste jogo em que pensaste vencer
Em que julgaste ganhar
Quem perdeu foste tu
Apenas tu e nunca eu.




Quem de nós dois, uma boa pergunta...


Livre...


"Born free, as free as the wind blows
As free as the grass grows
Born free to follow your heart"



Born Free, dedicada a ti que nunca tiveste donos, mas sim companheiros na tua curta viagem...


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Another world


Preciso de outro mundo
bem diferente
Um mundo onde possa acreditar
no que me dão a ouvir
Onde possa crer
no que me dão a ver
Um mundo bem diferente
Pode até nem ter palavras
ou pelo menos não as que magoam
só as mais doces e belas 
Um mundo sem medo da verdade
ou deste mal de errar
onde possa brincar correr amar
sem medo de cair
Preciso de outro mundo
onde possa acreditar


Pois é Antony... another world... (Numa versão ao vivo, em Cascais - 2012, em que tive o prazer de estar presente...)


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Tudo seria, nada é


Não havia espaço onde parecia haver espaço
Não havia tempo onde parecia haver tempo
E tudo poderia existir onde nada existia
Apenas parecia
Sonho, ilusão
De um mundo que ruía
Agora a realidade 
das minhas mãos ásperas
Raízes no meu peito

Dos teus lábios rastro 

who wants to live forever?


Quantas faces tem o mal?




Quantas formas pode ter a maldade? Quantas caras? 
Descubro cada vez mais, improváveis, desconhecidas.
no mal que nos destrói, que nos desfaz.
Mesmo assim amamos o mal tornado carne.
Mesmo perdido e sem valor o nosso amor
na voragem sequiosa que nos esmaga
Mas não humilha!
Mais vale amar um dia do que nunca ter vivido.
Quantas faces tem o mal? Quantas máscaras podes ter?
Nestes jogos em que te divertes sou marioneta do diabo.


Wicked Games


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os sonhos perduram...




lembrando a minha juventude... boas e más memórias... 
os banhos da meia-noite na Parede
o comboio do meio em S. Pedro, violas, flautas, saxofone, pandeiretas
os charros, os speeds, os ácidos nas rochas de S. João
a areia que servia de cama, as estrelas de lençol
a guerra em áfrica, ao longe, irreal
a música sempre, os sonhos
quem diria que apesar do cansaço os sonhos ainda perduram...



The Who - Baba O'riley


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

As árvores morrem de pé...





Dizem que as árvores morrem (geralmente) de pé.

Já os nossos pés traçam histórias na areia que desaparecem com a mais pequena onda.




Praia de Carcavelos

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Next time...


Já gastei todas as palavras por agora.
A noite já vai correndo o seu curso.
Mas lembrei-me de uma musiquinha.
Lembrei-me de falsidade, simulação, reserva mental.
Não caiam na tentação do "next time"...



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cinema King... Requiem


O Cinema King acabou.

Mais um espaço importante que desaparece levado pela voragem da modernidade, do culto da massificação, da crise económica e das absurdas medidas impostas para a combater (?).

Neste rio da tristeza, mais uns destroços que flutuam...


domingo, 24 de novembro de 2013

Roca

Neste rio não há margens que nos salvem


Este é um rio gasto, longo, sem meandros, depois de tudo arrastar.
Nado contra a corrente viva e solta ensanguentada de aluviões, mergulho, volto à superfície.
Respiro prestes a sufocar no meio dos escolhos e peixes que fugiram dos teus olhos.
Ao redor apenas rápidos onde as solas gastas de uma noite velha calcorreiam calçadas enforcadas em pedras soltas feitas de almofadas onde repousei outrora o meu corpo encostado a ti.
No murmúrio da água reconheço palavras, o teu canto.
Neste rio de muitas lágrimas, habita a tristeza, germina a vontade abatida pelo cansaço.
Não há margens que me salvem, só uma razão para acreditar.


Still I look to find a Reason to believe...





sábado, 23 de novembro de 2013

Falando em cósmico...



Quanto mais nos aproximamos das estrelas, mais sentimos essa força primordial, essa energia, mas mais probabilidades temos de nos queimar.
Depois, depois não fica nada.
Apenas a noite escura e negra, sem o brilho a que nos habituámos, perdidos esses seres estelares que ostentavas na impressão digital dos teus dedos, como dardos apontados à minha pele.
Apenas o frio gélido do vácuo, do absoluto nada, não aquele antes do génesis, em que o nada ainda tinha a capacidade imanente de tudo criar do nada.
Agora não existe Alfa, ínicio, criação ou re-criação. 
Vivemos no ómega, o fim, o nada que nasceu e morreu nada.
Somos cinza, poeira cósmica.
Some may say: C'est la vie!
Desejamos voltar a ser. Mas destas cinzas não haverá Phénix que ressurja...

As cinzas às cinzas... Ashes to ashes, novamente a fase andrógina e espacial de Bowie.




The Effect Of Gamma Rays On Mary-In-The-Moon Marigolds

Da influência dos raios gama no comportamento das margaridas, era o título em português do filme de 1972, com Joanne Woodward, realizado por Paul Newman, um drama familiar, baseado numa peça de Paul Zindel, sobre os sonhos de uma mulher de meia idade em concretizar uma vida melhor, focando ainda o relacionamento com as suas duas excêntricas filhas.
O título nada tinha directamente a ver com o filme mas, talvez por essa razão, nunca me tenha esquecido dele.
Com o tempo aprendi a apreciar a subtileza de Paul Zindel na escolha do título da peça.
Hoje em dia, e com maior acuidade, coloca-se o problema dos milhões de pessoas de meia idade com vidas vazias, sonhos por realizar e amores por encontrar.
Creio que não existem estatísticas, mas a minha percepção é que cada vez mais a faixa etária dos 45 aos 60 é fator de risco na nossa sociedade.

Eu incluo-me nessa faixa etária. É razão para me preocupar.
Ok, submeto-me, tranquilamente, à influência dos raios gama no comportamento das margaridas.
Depois de ter chegado perto das estrelas, de ter essa experiência quase cósmica de te amar, já não estranho nada.
Venham de lá os raios gama...


Por falar em cósmico...


Hello? Ground Control? Do you hear me?

David Bowie



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Centésima


Para comemorar 100 publicações, o túnel do amor.

Onde será que fica?

Fiquem bem. Durmam bem.





quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sobreviver


Como é que se aprende a viver depois da morte da alma?
Depois de nos terem estripado cirurgicamente as veias que nos fazem sonhar?
Viver, reviver, sobreviver?
É possível continuar a arpoar nuvens, traçar estradas na pele, descobrir horizontes?
É possível afastar este cansaço que corroí os olhos e seca os lábios?
Se já não tenho o que olhar e os lábios deixaram de ser o leito de uma corrente que nascia em ti.
Se os olhos os quero fechados olhando por dentro, para longe, e os lábios os quero selados despronunciando letras de um nome perdido.
Como se aprende a viver depois de nos terem morto?
Dão-se pés a um esquife feito de carne que deambula pelas veredas de uma cidade sem cor.
Dão-se mãos para dissecar as flores que definham fechadas dentro de mim.
Há um suave e doce odor nesta morte que emana das recordações.
E atormenta a minha sobrevivência.
De uma última dança que nunca será dançada.

Last dance - Neil Young


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Partir


Por vezes é preciso partir para começar de novo.
Partir, não para esquecer o que não se pode esquecer, mas para viver a lembrança e a mágoa, se for preciso.
Partir, quando já não esperamos nada em estar parados.
Partir, para não prolongar despedidas...






Futebol, exageros e indignação


A forma indignada como alguns portugueses reagiram ao anúncio da Pepsi publicado na Suécia só tem paralelo ao exagero como reagiram ao próprio jogo e à vitória de Portugal.
Como já disse algumas vezes, futebol é só um jogo. Por muito importante que seja, movimentando milhões de euros, é só um jogo. Um jogo que não é a vida ou a morte de ninguém, a não ser daqueles que podem ganhar muito com as vitórias, mas que infelizmente se tem tornado de vida ou de morte na violência das claques.
E é assim, como um jogo, um espectáculo, um divertimento, que tem de ser encarado por pessoas equilibradas, de bom-senso. 
Ninguém duvida que o Cristiano seja bom jogador, para uns o melhor do mundo, para outros entre os melhores. Mas não é deus, não é rei, não é salvador da pátria coisa nenhuma, como se lê e ouve por aí. É apenas um jogador, num jogo, e não resolve nenhum dos problemas do país. A não ser que pensem que ir ao Brasil é a solução para que os mercados, por deferência ao "rei", peçam desculpa e, subservientes a sua alteza, baixem imediatamente os juros cobrados a Portugal.
Os exageros, as reacções emocionadas são admissíveis a "quente" no "momento", na "descompressão" de uma trajectória com muitos momentos negativos e num apuramento discutido em "play-off". A continuarem, depois disso, correm o risco de nos retirar a lucidez, o discernimento e nos afastarem das questões essenciais.
Quanto à Pepsi, não é invulgar as marcas portuguesas colocarem anúncios duvidosos, e até insultuosos, para com selecções de outros países, na véspera de jogos ou de competições em que a selecção portuguesa participa.
É raro ver quem se indigne com isso e peça desculpa.
A indignação não pode resultar de uma apreciação da importância mundial da marca ou de quem age (se somos nós ou os outros contra nós). Tem de resultar do facto, da atitude. E ser adequada às situações e aos contextos.
São estas indignações exageradas, estas reacções violentas despropositadas, que ajudam a gerar a violência a que assistimos hoje nos estádios à mínima provocação - ou mesmo sem ela.
Sinceramente, acham que a indignação portuguesa vai tirar o sono à Pepsi internacional? Que o mercado português tem assim tanta importância? Que se estão a ralar para quem diz que nunca mais vai beber Pepsi? Claro que isso é importante, mas para a subsidiária portuguesa que comercializa o produto internamente. 
Se até a coca cola ponderou (e ainda não está afastada de todo) a ideia de deslocalizar o engarrafamento para Espanha para racionalizar meios...
Bom-senso, pede-se. E é a palavra chave.
Dito isto, parabéns à selecção portuguesa. E nota negativa ao mau gosto dos publicitários suecos. Também os há por cá do mesmo calibre com anúncios a apelar à violência e ao "bullying", como os da "Danup não é para chatos".
E agora, que já leram isto, talvez queiram ir a correr fazer um "padrão" com o emblema da FPF e a imagem do CR para substituir aqueles que os nossos navegadores, e pasme-se, nem jogavam à bola, espalharam pelo mundo.

Celebração


Celebremos. 
É tempo de celebrar.
Celebremos o Amor.
Celebremos o que foi, é ou será.
Celebremos o início de um Amor ou o fim de um Amor
Celebremos o Amor.
Intenso, apaixonado, louco, doloroso, ansioso
maravilhoso
Infinito, eterno ou meteórico
misterioso
Celebremos o Amor.
Não celebremos mais nada.
Nem géneros, raças, credos, gostos
estados de alma
Celebremos apenas o Amor.
Genuíno, de entrega,
dádiva. Ponto final.



a propósito, bem velhinha - 1969, The first Time ever I saw your face
Roberta Flack



terça-feira, 19 de novembro de 2013

Love is that simple


Deixamos complicar o fácil.
Descompliquemos.
O amor é simples e fácil depois de inventado.
Basta vivê-lo.
Basta querer.
Mesmo que seja preciso aprender a simplicidade de amar.

Love, com John and Yoko





Cores




Delineio-te com traços suaves a carvão,

curva a curva e suaves planícies.

Cubro-te com óleos vibrantes e fortes.

Amanhã, talvez, de aguarelas intensas.

Vejo-te e vejo a vida com cores

que nem todos conseguem ou querem ver.

Fazes parte da palette que trago comigo,

onde mergulho.

Enquanto puder, desenharei e pintarei,

exultarei.

E os meus dias terão a tua cor.


Falando ao vento

Hoje quero falar de coisas diferentes.
Quero falar das flores que crescem nos meus ombros
imóveis, embriagadas pela vontade do sol.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Estou farto de viver "de" e "para ti".
Como se o ar que respiro fosse aquele que exalas, 
e me lembro bem, quente e tranquilo enquanto dormias junto a mim.
Como se a única música que entendo fosse essa
a da tranquilidade do ritmo do teu coração esperando a manhã nascer.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Quero falar de mim.
Porque podes apagar todas as minhas lembranças,
esquecer a minha voz, a tua cabeça no meu colo,
os meus dedos nos teus cabelos,
mas não podes apagar as tuas recordações em mim.
Hoje quero falar de coisas diferentes.
Talvez falando ao vento chegue até ti.

I  talk to the wind -King Crimson




Íbis-sagrado


Não sei porquê lembrei-me deste pássaro


"Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais. 
De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passa."

Lembras-te?
Como se nascessem os teus olhos no meu peito
cortando-me a respiração
e no teu corpo pétalas aveludadas e perfumadas
que eu colhia
Voávamos em silêncio no segredo da noite


Because, only because the world is round...



Para adormecer... e porque o mundo é redondo.
Ou seja vá por onde vá corro sempre o risco de voltar ao mesmo lugar...
Bons sonhos...


O Amor, existe?


Daniel Filipe escrevia sobre a "invenção do amor" com carácter de urgência.
Será que o Amor existe ou precisa de ser inventado? Ou, por tanto o invocarem em vão, está gasto, cansado e precisa de ser reinventado?
O amor não existe de "per si". Tem de ser inventado a cada momento, a cada descoberta, por cada um de nós.
E como todas as grandes invenções, o acaso joga um papel importante.
Por isso creio que procurar é um erro. Há coisas que não se procuram, encontram-se, descobrem-se.
Num acaso feliz, num virar de esquina da nossa vida, quando estamos desprevenidos, deparamos com essa coisa indecifrável, esse sentir a que convencionámos chamar de amor. E ele aí está, inventado a cada instante, renovando-se a cada momento com vida própria.
Por vezes rejeitamos a sorte, viramos as costas ao destino e continuamos em frente de olhos fechados, procurando qualquer coisa que nem nós próprios sabemos o que é, nem reconheceríamos se encontrássemos.
E continuamos, numa aparente felicidadezinha, por uma estrada que não vai dar a lado nenhum... e teimamos em seguir em frente...
Outros, como eu, estão num beco sem saída...

Boa noite!

Talking Heads

Road to nowhere...






segunda-feira, 18 de novembro de 2013

I'll go on...


Já vivi outonos melhores.
Aliás, este é o pior outono da minha vida.
São demasiadas coisas negativas a concorrer para a desgraça. 
Não uma desgraça qualquer, corriqueira, mas uma desgraça à portuguesa.
Daquelas que poderiam muito bem dar origem a um faduncho - agora património imaterial da humanidade - cantado pelas vielas de alfama ou, para ser mais chique, imortalizado numa daquelas vozes roucas de "madamas" entradotas, invariavelmente boémias donas de um qualquer afamado restaurante para turistas, que, ao fim da noite, se enchem de amigos-ex-amantes saudosistas que acabam a cantar à desgarrada a violência indisfarçada de amores mal sucedidos.
Pois é, uma desgraça das antigas. Uma tragédia que nem os gregos conseguiriam colocar defeito. Digam lá se eu não sou "so dramatic"!?
Mas, com dramatismo ou não, aguento. Vou aguentando. Já passei por muitas coisas más (consideravelmente superiores em número às coisas boas), e sempre me aguentei. No fio da navalha, mas aguentei.
E continuarei... loving you.


Não é, Alan Jackson (trocando isso dos olhos verdes por outra cor)? 








Estrelas


De manhã é difícil ver as estrelas e a esta hora muito menos.
Mas, pelo facto de não as vermos, não quer dizer que deixem de estar lá. 
Com o mesmo brilho e intensidade.
Mais ou menos como nós, como eu, como tu.
Nem sempre vemos as coisas que existem. Depende dos nossos olhos e da luz.
Por isso comecemos a semana olhando o céu e contando estrelas. Entre elas irei encontrar-te...


One Republic




Feitiços e feiticeiras


E já que falei em feitiços e são horas de dormir,  vem aí Feiticeira...
Para que o feitiço se prolongue. 
Por vezes não o queremos quebrar.

Luis Represas e Pablo Milanés


domingo, 17 de novembro de 2013

You know, I'm such a fool for you...


Como poderia ter reconhecido o turbilhão, o vórtice, no meio das águas tépidas e calmas do lago da tua alma onde me lancei enfeitiçado?
Como poderia ter reconhecido no cálice que me oferecias, o veneno doce que vertia dos teus lábios?
Como poderia ter reconhecido o precipício nos teus olhos quando o discernimento e a razão adormeceram?
E quis mais e mais turbilhão, mais veneno, mais precipício.
Fiz-te a vontade.
Cumpriu-se o tempo.
Vestiu-se a loucura de sanidade e perdi-me no rodopio envenenado das alturas em que me lançaste.
Ainda estou em queda. O fundo distancia-se a cada metro que caio. Não sei se algum dia encontrarei o teu chão.
You Know, I'm such a fool for you...


Ok, é este o mote para Linger e The Cranberries






Não ter uma razão


Não ter uma razão que explique um acontecimento é quase tão bom como ter dezenas de razões que se misturam, completam, contradizem, tornam tudo obscuro, complexo, confuso.
Não ter argumentos é tão válido como ter milhares de argumentos que nos vemos obrigados a organizar, catalogar, dar mais ou menos importância, e responder.
Não ter uma razão, aquele simples "porque sim!", é tão válido como longas discussões de onde não nasce a luz, apenas a ténue tentativa de desculpa adornada de pequenas mentiras e insinuações.
Há coisas que não têm explicação, não têm razão, não têm discussão.
Não ter uma razão é duro, mas honesto e simples. Directo.
O silêncio, pode ser uma grande resposta.

Why... pergunta Annie Lennox. E digo eu... why not?



Muitos "amores"



Para quase todos nós, na vida, há muitos "amores". Assim mesmo, com letra pequena.
Muitos amores que fazem parte do nosso processo de crescimento, de adaptação, de escolhas mais ou menos amadurecidas, mais ou menos conscientes, de formação da nossa personalidade.
Alguns nem chegam a amores. Nunca passam de um "gosto de ti", de um desejo, de uma vontade, que não se prolonga no tempo e, por vezes, nem deixam marca ou recordação.
Já os "amores", mesmo esses, de letra pequena, deixam sempre uma marca, boa ou má, uma recordação, mais ou menos amarga, mais ou menos doce.
Mas, depois, há aquela coisa única, a paixão da nossa vida, a pessoa certa. Aquela com que tudo se acomoda, tudo se encaixa.
Essa, é outra história. Uma história maior entre muitas histórias.
Uma história que fará para sempre parte da nossa verdadeira História, com letra grande.
Por sua vez, um Amor, sem aspas e, também, com letra grande.
Tão grande que não cabe em nós. Tão grande como a dor de o perder, com as suas recordações quer sejam amargas ou doces, sempre devastadoras.
Esse, é o Amor de uma vida, o Amor da nossa Vida.
Com letra grande.

Quem soube cantar esse amor foi o Freddie. Por isso, os Queen,




 com Love of my Life. Apropriado.



Esquecer



Não é um pedido usual.
Ajuda-me a esquecer. Tu que te mostraste perita no esquecimento. Que consegues apagar, rasgar, sem olhar para trás.
Preciso da tua capacidade, dos teus conhecimentos.
Diz-me como consegues, que artes utilizas, os meios, os truques.
Porque acho impossível esquecer-se quem verdadeiramente se ama.
Mas tu não. 
Ou nunca amaste.
Preciso, portanto, que me ensines, me treines.
Me mostres que estou errado. Que é possível esquecer.
Mesmo que seja preciso uma racionalidade, uma insensibilidade e uma frieza que não possuo.
Que me ensines a dizer hoje que te amo e, amanhã, que não existes.








Nunca cheguei a conhecer-te



As pessoas têm o estranho hábito de quererem fazer os outros acreditar que não são o que são mas o que gostariam e não têm capacidade ou vontade de ser.
Disfarçam-se, maquilham-se, embelezam-se, julgando que poderão manter artificialmente uma identidade e esconder para sempre a sua origem, o seu verdadeiro interior.
Esquecem-se que mais tarde ou mais cedo cederão ao seu "eu". E as consequências podem ser catastróficas.
Para os que os rodeiam, para os que os amam e para eles próprios, numa busca constante de uma personalidade, de uma vida, que não têm nem nunca poderão ter, permanecerão eternamente vivendo apenas momentos de felicidade e prolongando uma infelicidade constante, persistente, angustiante, procurando sofregamente nas coisas mundanas encontrar o que nunca encontrarão dentro de si nem têm capacidade para dar.
Não quero dizer com isto que o que "somos" é mau. Nem sempre é. E se formos verdadeiros desde o início, se nos revelarmos, nos dermos a conhecer, o que estamos dispostos a dar, talvez gostem de nós assim e nos amem apesar dos defeitos, "no matter what"...
E sempre será melhor do que descobrir um dia, dolorosamente, que a pessoa a quem nos entregámos nunca a chegámos verdadeiramente a conhecer.
Não cometamos o maior pecado, fazer que nos amem pelo que não somos.
Mostremos o que está escrito no nosso coração, o que queremos, o que temos para dar, enquanto temos tempo para isso.
A verdade é sempre melhor do que a mais doce das ilusões.

Como canta Gerry Rafferty, o que está escrito nos nosso corações é tudo o que interessa...