quarta-feira, 18 de abril de 2018

Nos teus lábios um momento

Os meus braços são nuvens das mais brancas que abraçam o Sol que te beija
Entregam-se na sedução do vento
Se fosse tempo seria o tempo errado
Se fosse chama seria o fogo na floresta
Se fosse água seria a sede no deserto
Porque sou assim errado e incerto
Se fosse amor seria apenas sombra
E na verdade sou apenas o que sobra
Nada resta
Só a certeza aguda e líquida do momento

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Tudo vai desaparecendo. As estrelas. As montanhas, as planícies, o dia, o sol. Já nem a noite existe.
Tudo se vai revertendo à sua infinitesimal forma original. Morrem os ventos e morro também nessa tempestade seca e calma.
Eu não existo sem vento e o vento não existe sem mim.
Na mistura do tempo viaja o meu ser triste mas sem medo.

sábado, 23 de setembro de 2017

Voltaremos

Desisto.
Sou um esquisso no horizonte uma sombra na aragem que deseja a eternidade.
Insisto na presença do cheiro das flores, da terra molhada, dos cachos selvagens de maçãs, da lonjura infinita das montanhas.
É aí, não sei onde, não sei quando, que olharemos um para o outro e voltaremos a encontrar-nos.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Anos-Luz...

Os sonhos abraçaram as estrelas. E consumiram-se no seu forno galáctico.
Já não são nada. Desprezados. Mais valeriam planetas estéreis e gélidos, inabitados que são os sentidos.
Nunca chegaste a entender.
Anos-luz de (in)diferença...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Desenhar a preto e branco

Reponho as coisas nos seus devidos lugares
Os meus dedos que percorreram as noites
Trauteando futuros e sonhos.
Reconstruo o templo das ilusões
Agora, sem inocência, com riscos e traços a preto e branco. Admito algum cinzento. Mas nada de cor. Até o sangue será escuro como as manhãs que se libertam do alvorecer, húmidas e frias.
Admito também algum ruído. A música desvaneceu-se. Cansei-me de acordes vibrantes e melodias. A idade não permite mais embora estupidamente se tenha permitido algumas veleidades com voos breves e incertos em pautas de paixão.
Dir-me-ão que o contrário de tudo que desenho acabará por ser o mesmo que o nada de agora. É certo. Mas pelo menos terá um rumo definido e não o vogar sem leme na tempestade. Sem esperar nada a não ser a viagem sem sobressaltos.
Talvez abrace o vento. Talvez beije as nuvens.
Já caí muitas vezes. Desde que não olhe para ele o precipício não me assusta.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Azimute



Embarco
Sigo a rota no horizonte que outros olharam e traçaram
Na amurada a lua espreita
espelhando a água que as minhas mãos beliscam
Parto
E não chego
Olho e não há fim no desenho das ondas
Encontro-me
Em caminhos que tu não trilhas
Desencontro
Sempre foi assim
Lanço âncora 
desapareço na espuma
Ouve, há um murmúrio…

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